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segunda-feira, 8 de abril de 2013

«ANTÓNIO de OLIVEIRA SALAZAR»


Filho de pequenos agricultores de modestos recursos, fez o exame de instrução primária em 1899, entrando para o Seminário de Viseu para seguir a vida eclesiástica.

Abandonando esse intento depois de oito anos de estudos, foi exercer as funções de professor no Colégio da Via Sacra, do cónego Barreiros, naquela cidade.

A sua atenção virava-se então para a pedagogia. Em 1910 matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, no mesmo mês em que a República era implantada em Lisboa.

A formação católica de Salazar choca-se com o ideário anticlerical e positivista reinante na Universidade e que no início de 1911 dá azo ao assalto ao Centro Académico da Democracia Cristã (CADC) de Coimbra, cuja sede foi destruída. Salazar participa então activamente na reorganização do CADC e virá a fazer parte da direcção eleita em 1912 (como 1º secretário), de que era presidente João Francisco Cavaco e vice-presidente o futuro cardeal Cerejeira.

Em 1914 termina o curso com alta classificação. Pouco tempo depois substitui o Prof. Mamoco e Sousa. Em 1917 é assistente e no ano seguinte ascende à cátedra. Dois anos mais tarde é afastado das suas funções docentes na Faculdade de Direito, conjuntamente com mais quatro professores, sob a acusação de implicação nos acontecimentos conhecidos por monarquia do Norte e revolta do Monsanto e ainda por alegada difusão de propaganda monárquica.

Publica então o folheto “A Minha Resposta”, refutando as acusações; poucas semanas depois, ilibado, regressa à actividade.

Em 1921 é eleito deputado pelo círculo de Guimarães nas listas do Centro Católico, do qual era dirigente, experiência de curta duração. Em 1925 é de novo candidato, desta vez pelo círculo de Arganil, não tendo sido eleito.

Em 1926 realiza-se um putsch militar que congrega forças hetrogéneas. As várias facções participantes digladiam-se na luta pelo poder.

Salazar, conhecido pelos seus artigos sobre a economia publicados no “Novidades”, é convidado a participar no 2º governo saído do 28 de Maio, presidido por Mendes Cabeçadas, sobraçando a pasta das Finanças durante treze dias. Em 17 de Junho de 1926 terminava a sua primeira experiência governativa, devido ao golpe de Estado palaciano de Gomes da Costa.

A luta pelo poder não estava, contudo, resolvida. Em 9 de julho, um novo golpe de Estado conduzido por Sinel de Cordes afasta Gomes da Costa, que é exilado nos Açores, e Óscar Carmona passa a presidir ao governo.

A pasta das Finanças tem sucessivos titulares: Sinel de Cordes, Manuel Rodrigues Júnior, de novo Sinel de Cordes, Ivens Ferraz, de novo Rodrigues Júnior e José Vicente de Freitas.

O fim da Guerra veio, contudo, abalar profundamente o regime fascista, com Salazar como primeiro-ministro ditador/fascista e a oposição julga ter chegado o momento da viragem política, devido à vitória das democracias.

Salazar pensa também ter chegado o momento final. A oposição, organizada no Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF), formado em Janeiro de 1944, cria no ano seguinte o Movimento de Unidade Democrática (MUD).

O regime, forçado a reconhecer uma oposição semilegal e activa, atravessa a sua primeira grande crise. Afastada a oposição das eleições legislativas de 1945, o regime retoma a ofensiva diplomática.

A sua política de neutralidade durante o conflito e a concessão de facilidades aos aliados ingleses no arquipélago dos Açores, em 1943, garantem-lhe a passividade das democracias.

A segunda grande crise do regime surgirá quase quinze anos depois, em 1958, com a candidatura de Humberto Delgado à presidência da república. Toda a oposição se congrega para o derrube do regime pela via eleitoral. Salazar teme de novo o !golpe de Estado constitucional”. A luta no seio do regime é intensa, as pressões para que Salazar se candidate fracassam perante a sua recusa intransigente e alguns aconselham a sua saída e substituição por um homem mais novo.

Através da campanha de intimidação e da fraude eleitoral, realizam-se as eleições e o candidato do regime, Américo Tomás, é eleito. Humberto Delgado é punido disciplinarmente e exila-se. Salazar apressa-se a rever a Constituição (1959): doravante a eleição presidencial será feita através de um colégio eleitoral, o regime revigora-se, até que após uma queda de uma cadeira, em 1968, Salazar fica impedido de se manter à frente do governo e do país e Marcelo Caetano, por solicitação de Américo Tomás a 27 de Setembro, é nomeado primeiro-ministro.

Foi só a 25 de Abril de 1974 que, graças a um golpe militar se conseguiu acabar com o regime ditatorial e implantar uma democracia em Portugal.

Por onde andarão hoje os militares…?

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