Filho de pequenos agricultores de modestos
recursos, fez o exame de instrução primária em 1899, entrando para o Seminário
de Viseu para seguir a vida eclesiástica.
Abandonando esse intento depois de oito anos
de estudos, foi exercer as funções de professor no Colégio da Via Sacra, do
cónego Barreiros, naquela cidade.
A sua atenção virava-se então para a
pedagogia. Em 1910 matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de
Coimbra, no mesmo mês em que a República era implantada em Lisboa.
A formação católica de Salazar choca-se com o
ideário anticlerical e positivista reinante na Universidade e que no início de
1911 dá azo ao assalto ao Centro Académico da Democracia Cristã (CADC) de
Coimbra, cuja sede foi destruída. Salazar participa então activamente na
reorganização do CADC e virá a fazer parte da direcção eleita em 1912 (como 1º
secretário), de que era presidente João Francisco Cavaco e vice-presidente o
futuro cardeal Cerejeira.
Em 1914 termina o curso com alta classificação.
Pouco tempo depois substitui o Prof. Mamoco e Sousa. Em 1917 é assistente e no
ano seguinte ascende à cátedra. Dois anos mais tarde é afastado das suas
funções docentes na Faculdade de Direito, conjuntamente com mais quatro
professores, sob a acusação de implicação nos acontecimentos conhecidos por
monarquia do Norte e revolta do Monsanto e ainda por alegada difusão de
propaganda monárquica.
Publica então o folheto “A Minha Resposta”,
refutando as acusações; poucas semanas depois, ilibado, regressa à actividade.
Em 1921 é eleito deputado pelo círculo de
Guimarães nas listas do Centro Católico, do qual era dirigente, experiência de
curta duração. Em 1925 é de novo candidato, desta vez pelo círculo de Arganil,
não tendo sido eleito.
Em 1926 realiza-se um putsch militar que
congrega forças hetrogéneas. As várias facções participantes digladiam-se na
luta pelo poder.
Salazar, conhecido pelos seus artigos sobre a
economia publicados no “Novidades”, é convidado a participar no 2º governo
saído do 28 de Maio, presidido por Mendes Cabeçadas, sobraçando a pasta das
Finanças durante treze dias. Em 17 de Junho de 1926 terminava a sua primeira
experiência governativa, devido ao golpe de Estado palaciano de Gomes da Costa.
A luta pelo poder não estava, contudo,
resolvida. Em 9 de julho, um novo golpe de Estado conduzido por Sinel de Cordes
afasta Gomes da Costa, que é exilado nos Açores, e Óscar Carmona passa a
presidir ao governo.
A pasta das Finanças tem sucessivos
titulares: Sinel de Cordes, Manuel Rodrigues Júnior, de novo Sinel de Cordes, Ivens
Ferraz, de novo Rodrigues Júnior e José Vicente de Freitas.
O fim da Guerra veio, contudo, abalar
profundamente o regime fascista, com Salazar como primeiro-ministro
ditador/fascista e a oposição julga ter chegado o momento da viragem política,
devido à vitória das democracias.
Salazar pensa também ter chegado o momento
final. A oposição, organizada no Movimento de Unidade Nacional Antifascista
(MUNAF), formado em Janeiro de 1944, cria no ano seguinte o Movimento de
Unidade Democrática (MUD).
O regime, forçado a reconhecer uma oposição
semilegal e activa, atravessa a sua primeira grande crise. Afastada a oposição
das eleições legislativas de 1945, o regime retoma a ofensiva diplomática.
A sua política de neutralidade durante o
conflito e a concessão de facilidades aos aliados ingleses no arquipélago dos
Açores, em 1943, garantem-lhe a passividade das democracias.
A segunda grande crise do regime surgirá
quase quinze anos depois, em 1958, com a candidatura de Humberto Delgado à
presidência da república. Toda a oposição se congrega para o derrube do regime
pela via eleitoral. Salazar teme de novo o !golpe de Estado constitucional”. A
luta no seio do regime é intensa, as pressões para que Salazar se candidate
fracassam perante a sua recusa intransigente e alguns aconselham a sua saída e
substituição por um homem mais novo.
Através da campanha de intimidação e da
fraude eleitoral, realizam-se as eleições e o candidato do regime, Américo
Tomás, é eleito. Humberto Delgado é punido disciplinarmente e exila-se. Salazar
apressa-se a rever a Constituição (1959): doravante a eleição presidencial será
feita através de um colégio eleitoral, o regime revigora-se, até que após uma
queda de uma cadeira, em 1968, Salazar fica impedido de se manter à frente do
governo e do país e Marcelo Caetano, por solicitação de Américo Tomás a 27 de Setembro, é nomeado primeiro-ministro.
Foi só a 25 de Abril de 1974 que, graças a um
golpe militar se conseguiu acabar com o regime ditatorial e implantar uma
democracia em Portugal.
Por onde andarão hoje os militares…?
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