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terça-feira, 9 de abril de 2013

Carlos Costa: Portugal só beneficia das vantagens do euro se cumprir as regras


"Estamos onde estamos porque estávamos num jogo e não respeitámos as regras, diz o governador do Banco de Portugal.
O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, considerou nesta segunda-feira que o euro é um "instrumento valiosíssimo" para uma economia como a portuguesa, mas sublinhou que só é possível aproveitar as vantagens da moeda única através do cumprimento das regras.
"A moeda única é um instrumento valiosíssimo, sobretudo, para uma economia pequena e dependente dos mercados externos como a portuguesa. Mas, para beneficiar das vantagens, temos que cumprir as regras", afirmou o governador, na sua intervenção de encerramento da segunda edição do concurso Geração €uro, em Lisboa.
Segundo Carlos Costa, o euro permite aos países aderentes a "eliminação de custos", graças à integração do mercado, e "alavancar o acesso ao mercado", pelo que considerou que Portugal "beneficiou muito ao passar dos escudos para o euro".
Porém, frisou, "é necessário conhecer as regras do jogo e respeitá-las. Fora das regras não há vitórias".
E reforçou: "Estamos onde estamos porque estávamos num jogo e não respeitámos as regras. Sentimos que fomos quase expulsos do campeonato [do euro]. Agora, estamos numa fase de descobrir que este é um jogo com regras".
O governador destacou a importância das novas gerações conhecerem as regras da moeda única, sublinhando que "discutir o euro é discutir o processo fundamental de criação e distribuição de riqueza".
De acordo com o responsável, "as sociedades onde não se forma uma consciência orgânica estão condenadas ao fracasso. São sociedades onde se pode prometer o que não é possível e onde se podem cometer graves erros ao nível da política económica".
Realçando a necessidade de "afastar o discurso fantasioso do discurso realista", Carlos Costa afirmou que "sonhar fora do que é possível é viver um pesadelo".
A promoção de crescimento e de emprego "são os objectivos últimos do euro", defendeu, explicando que "o euro é uma ferramenta para promover o crescimento e o emprego", mas salientando que "não basta ter a ferramenta. É preciso saber usá-la".
Carlos Costa destacou ainda que "o euro é um elemento central de vantagem competitiva ao nível geopolítico e geoestratégico" para a Europa.
O governador escusou-se a prestar declarações à comunicação social à margem da cerimónia de entrega dos prémios do concurso Geração €uro.
Esta é uma competição entre escolas sobre política monetária, organizada pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelos bancos centrais nacionais do Eurosistema, que visa sensibilizar os alunos do ensino secundário para a importância da política monetária única e do objectivo de manutenção da estabilidade dos preços.
=Público=

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