Pretendendo demonstrar que quem manda é ele,
o governo, personalizado no senhor Pedro vai avançar, custe o que custar, nem
que a corda rebente, com novas e pesadas medidas de austeridade, afirmando que
serão tomadas para tapar o buraco criado pelo chumbo do Tribunal
Constitucional.
E onde vai ele proceder a mais cortes? Pois,
certamente, nos subsídios de desemprego e de doença acima dos 419 euros/mês,
essa tremenda fortuna com que sobrevive uma grande parte dos cidadãos
nacionais.
«Eles deitaram foguetes, mas ele – Pedro Passos
Coelho – vai apanhar as canas e com elas desancar os mais pobres e carenciados.
Não procura nas grandes fortunas, não se
preocupa com todo o dinheiro que repousa em paraísos fiscais – era o que
faltava, mexer com os queridos capitalistas, senhores da fuga de capitais para
esses paraísos, senhores também da autoria de tanto desempregado em Portugal e
que deslocalizaram as empresas para países onde os salários rondam os cem
euros/mês – colocando no mercado os produtos fabricados, com o rótulo da
empresa como se se mantivesse no país.
Como não se trata de nenhuns preguiçosos, os
membros do governo liderado pelo senhor Pedro, está a estudar mais, muitas mais
medidas de austeridade como única forma de tapar o buraco (qual deles?), que
diz serem destinadas a tapar o buraco aberto pela decisão dos Juízes do TC,
medidas que ferem a Constituição – e quem é ele para ser obrigado a respeitá-la?
– contidas no OE/2013.
O governo pretende, pois, colocar-se á margem
da lei, como ficou demonstrado pela falta de respeito pela lei-geral do país
naquele documento, que deputados acéfalos aprovaram na Assembleia da República
e que o presidente, apesar de tudo, promulgou, embora o tenha enviado para
apreciação daquele órgão do Estado, chegando mesmo a chamar-lhe “o defensor da
Constituição”.
Possivelmente já se arrependeu de o ter
feito, pois nunca pensou que o TC tomasse a atitude que tomou.
Ora, na sua comunicação ao país, feita ao fim
da tarde de domingo – 7 de Abril de 2013 – o senhor Pedro anunciou que não
aceita aumentar os impostos e, por isso, iria enveredar pelo caminho de mais
cortes na despesa pública, essencialmente nas áreas da saúde, da educação e da
segurança social.
Era necessário evitar a todo o custo um
segundo resgate, deixando implícito um apelo ao PS, para que se unisse a ele,
ou a eles, formando uma espécie de troika partidária com a coligação PSD/CDS.
A resposta não se fez esperar, e o PS
respondeu que não, que só após a realização de eleições antecipadas formaria o
governo de que o país e os portugueses precisam para saírem da crise, e que
renegociaria as condições de pagamento às instâncias internacionais.
Ora, como que em consonância com o senhor
Pedro, estas apressaram-se a afirmar que Portugal corre o grave risco de cair
em bancarrota, porque não estão na disposição de dar nem mais tempo e, muito
provavelmente, mais dinheiro, embora este emprestado.
Por seu lado, o presidente da República
entrou em tabu novamente, pois considera, talvez, ter já falado demais e,
talvez cansado de aturar os cidadãos e suas manifestações de rua, que certamente
irão aumentar de forma assustadora, acreditando que desta vez com a UGT e
outros sindicatos tomarão parte nessas mesmas manifestações.
Apesar do tempo que faz, este início de Abril
está a ver aumentar o calor social que se prepara para fazer estourar muitos
foguetes, cujas canas não poderão ser apanhadas pelos membros do actual governo
de Portugal.
E, mesmo que a UGT não participe, com toda a
certeza que os portugueses marcarão, mais uma e outra vez, presença.


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