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terça-feira, 9 de abril de 2013

«A AGRESSIVIDADE DO PEDRO»


Perante o chumbo do Tribunal Constitucional de quatro normas do OE/2013, o primeiro-ministro, na sua declaração ao país, mostrou-se de tal modo agressivo e até excessivo, desnecessariamente, sobre e contra o Tribunal Constitucional e seus cortes das inconstitucionalidades nele contidas.

De modo algum quis, ou quer compreender que o TC é a cúpula do poder judicial português e que dever ser o OE a ter em conta a Constituição, e não – como disse Medina Carreira, que aquele órgão deveria ter tido em conta todas as dificuldades com que o governo se confronta para conseguir um OE que satisfaça e remedeie essas e outras dificuldades, sobretudo no que respeita ao resgate e à troika, pois o povo é de somenos importância.

Realmente, passou-se um caso vivo que narrou eficazmente a história do lobo e do cordeiro, com Passos Coelho no papel de lobo, é verdade, mas com os juízes do TC no papel do líder da matilha, quando se passa e se vive precisamente o contrário.

Como bem disse o presidente da República, o TC é o guardião da Constituição e, com mil diabos, era já o segundo ano consecutivo que, dada a situação que se vive em Portugal – mas não por culpa dos portugueses menos bafejados pela sorte, que sempre são chamados a pagar os roubos e os rombos orçamentais, os enganos nas previsões de ministros tecnocratas, logo impiedosos e com cifrões nas iris oculares, que recusam ver que do outro lado se encontram pessoas com deveres, é certo, mas também com direitos que pretendem recusar-lhes.

Ora, é demasiado fácil culpar o acórdão do TC como o causador de todas as desgraças que certamente acontecerão aos cidadãos, cujas consequências serão mais fome e mais miséria no país, só porque Pedro e companhia, e o presidente da república incluído, não querem ver que os cidadãos portugueses já não aguentam mais austeridade, embora possam surgir novos Ulrich a declararem que «aguenta, ai aguenta aguenta», ou outros Medina Carreira que compreenderiam que se atropelasse a Constituição uma e outra vez.

O governo não decretou o Estado de Emergência Nacional, nem o poderá fazer, pois Portugal não está ameaçado por qualquer outro país, isto é, não se encontra em guerra com outra nação, tendo, no entanto, declarado guerra ao bem-estar social dos portugueses, sobretudo os de menores recursos, como sempre fazem os tecnocratas e aqueles políticos que, na sua governança, se limitam a demonstrar a pouca inteligência que possuem, como ignoram o que é a solidariedade social.

Pode, o senhor Pedro agradecer a Sócrates que, segundo relata no seu último livro Mário Soares, ficou feliz e contente com a eleição de Cavaco Silva, quando tinha lançado Manuel Alegre como “o candidato do PS” às eleições presidenciais, o que demonstra que o mandou simplesmente para a fogueira, retirando-lhe o extintor.

Que o senhor Pedro é irascível em certos momentos, já não havia quaisquer dúvidas, e bem o tem demonstrado sempre que debate, no hemiciclo, determinados assuntos, pretendendo que todos estejam de acordo com eles e com os seus ideais, ou seja, a defesa intransigente dos capitalistas, fazendo do povo português mero lacaio estúpido e parvo, mesmo e sobretudo se lhe mostraram recentemente que, pelo contrário, sabem bem o que querem e fazem-lho saber através das manifestações pelas ruas do país.

Apesar de tudo, estou convencido que as coisas não se regularão sem que sejam convocadas eleições antecipadas, apesar do hipotético recuo do senhor Seguro.

Que saiam os militares dos quartéis e devolvam a soberania ao povo, já que lhe pertence por direito!

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