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terça-feira, 9 de abril de 2013

«SENHOR PEDRO»


Sei que estão desqualificadas tanto a mística como a esquerda, certa esquerda, às quais se prefere o racionalismo dos universitários e a direita dos senhores da selva, sob o regime dos quais vivemos.

Ora, os seus discursos nada ganham em pretenderem apoiar-se no objectivo, no racional, na verdade, na dedução, quando, disfarçados, permanecem todos fundamentalmente inspirados pelo visceral.

Ultrapassar-se-ia o propósito colocado à política ao fazer a psicanálise dos empenhamentos que decidem, para este e aquele, de se instalar radicalmente na direita, ou naquela esquerda que pretende sê-lo e não o consegue, razão pela qual o senhor Pedro e outros a consideram da área da governabilidade.

Já reparou, caro senhor, como até já retirou do discurso do seu líder a exigência de eleições antecipadas? Que espécie de esquerda é, então, ela? Uma esquerda que se quer de bem com Deus e com o Demónio? Porque mantém a intenção de continuar na senda de enganar os pobres cidadãos?

De modo algum o felicito, senhor Pedro, por ter conseguido tal “milagre” que, até há bem pouco tempo seria impensável, mas creio que não lhe cabem a si as honras pelo êxito conseguido em relação ao que digo, mas sim e tão-somente ao “regressado” Sócrates que, com a sua presença na RTP, como comentarista semanal sobre os acontecimentos políticos em Portugal fez com que alterasse o seu discurso.

Até agora aquele líder quase só falava de eleições antecipadas, mas, subitamente e como por arte de magia, deixou de o fazer, como se alguma coisa ou alguém lhe tivesse feito ver que – e como não quer largar a liderança do partido, do seu partido, decidiu excluir da sua linguagem as tais eleições antecipadas.

Nunca devemos excluir, evidentemente, todos esses profissionais da renúncia, os renegados que vão de um lado para o outro, segundo os interesses que ora os conduzem aqui, ora acolá, tanto quanto os centristas, essa peste política que acampa a igual distância daqueles a quem se venderão, desse que uns ofereçam mais que os outros.

Não deverá levar a mal que lhe pergunte que ou quais as promessas por si feitas ao senhor Silva, para além da sua vassalagem, como se de um “deus” menor se tratasse, só para lhe garantir que tudo fará para manter, como ele diz, a estabilidade política nacional, pelo que é preciso ver-se a sua vitalidade afirmada – pois se direita nada mais significa,  e a sua categoria está ultrapassada, como o afirmam aqueles cujo espírito, no máximo das suas possibilidades, se encontra no psitacismo, então porque motivos só proferem disparates na altura em que o sócio capitalista no poder está em cuidados para encontrar um apoio noutro local, sempre ao centro, quando estão prontos para lho concederem em troca, apenas, da partilha das pastas ministeriais?

Quanto pode valer uma pasta hoje? Quantas almas será necessário mandar para a fogueira dantesca como aquela que acendeu em Portugal?

Pense, faça pensar e depois demita-se e deixe-nos em paz, pois quem vier atrás de si, nunca fará tanto mal à cidadania como aquele que lhe tem feito. Lembre-se que eu não sou filiado em nenhum partido e me sinto completamente livre e independente, para poder criticar tudo e todos, salvo aqueles que não pertencem à tal área governativa, e que bem mereciam uma oportunidade para demonstrarem quanto valem.

Porquê todos esses medos?

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