Sei que estão desqualificadas tanto a mística
como a esquerda, certa esquerda, às quais se prefere o racionalismo dos
universitários e a direita dos senhores da selva, sob o regime dos quais
vivemos.
Ora, os seus discursos nada ganham em
pretenderem apoiar-se no objectivo, no racional, na verdade, na dedução, quando,
disfarçados, permanecem todos fundamentalmente inspirados pelo visceral.
Ultrapassar-se-ia o propósito colocado à
política ao fazer a psicanálise dos empenhamentos que decidem, para este e
aquele, de se instalar radicalmente na direita, ou naquela esquerda que pretende
sê-lo e não o consegue, razão pela qual o senhor Pedro e outros a consideram da
área da governabilidade.
Já reparou, caro senhor, como até já retirou
do discurso do seu líder a exigência de eleições antecipadas? Que espécie de
esquerda é, então, ela? Uma esquerda que se quer de bem com Deus e com o
Demónio? Porque mantém a intenção de continuar na senda de enganar os pobres
cidadãos?
De modo algum o felicito, senhor Pedro, por
ter conseguido tal “milagre” que, até há bem pouco tempo seria impensável, mas
creio que não lhe cabem a si as honras pelo êxito conseguido em relação ao que
digo, mas sim e tão-somente ao “regressado” Sócrates que, com a sua presença na
RTP, como comentarista semanal sobre os acontecimentos políticos em Portugal
fez com que alterasse o seu discurso.
Até agora aquele líder quase só falava de
eleições antecipadas, mas, subitamente e como por arte de magia, deixou de o
fazer, como se alguma coisa ou alguém lhe tivesse feito ver que – e como não
quer largar a liderança do partido, do seu partido, decidiu excluir da sua
linguagem as tais eleições antecipadas.
Nunca devemos excluir, evidentemente, todos
esses profissionais da renúncia, os renegados que vão de um lado para o outro,
segundo os interesses que ora os conduzem aqui, ora acolá, tanto quanto os
centristas, essa peste política que acampa a igual distância daqueles a quem se
venderão, desse que uns ofereçam mais que os outros.
Não deverá levar a mal que lhe pergunte que
ou quais as promessas por si feitas ao senhor Silva, para além da sua
vassalagem, como se de um “deus” menor se tratasse, só para lhe garantir que
tudo fará para manter, como ele diz, a estabilidade política nacional, pelo que
é preciso ver-se a sua vitalidade afirmada – pois se direita nada mais
significa, e a sua categoria está
ultrapassada, como o afirmam aqueles cujo espírito, no máximo das suas
possibilidades, se encontra no psitacismo, então porque motivos só proferem
disparates na altura em que o sócio capitalista no poder está em cuidados para
encontrar um apoio noutro local, sempre ao centro, quando estão prontos para
lho concederem em troca, apenas, da partilha das pastas ministeriais?
Quanto pode valer uma pasta hoje? Quantas
almas será necessário mandar para a fogueira dantesca como aquela que acendeu
em Portugal?
Pense, faça pensar e depois demita-se e
deixe-nos em paz, pois quem vier atrás de si, nunca fará tanto mal à cidadania
como aquele que lhe tem feito. Lembre-se que eu não sou filiado em nenhum
partido e me sinto completamente livre e independente, para poder criticar tudo
e todos, salvo aqueles que não pertencem à tal área governativa, e que bem
mereciam uma oportunidade para demonstrarem quanto valem.
Porquê todos esses medos?

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