Marques
Guedes garante que resposta ao TC não está fechada e será discutida com os
parceiros sociais.
Marques
Guedes, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
O Governo português não vai apresentar medidas concretas para
compensar os 1300 milhões de euros “perdidos” com o chumbo do Tribunal
Constitucional (TC) na reunião que vai decorrer em Dublin. O executivo irá apenas
levar “garantias em que os parceiros internacionais possam confiar” para
garantir a aprovação do alargamento das maturidades dos empréstimos, afirmou
nesta quinta-feira o secretário de Estado da Presidência do Conselho de
Ministros.
“A reunião do Ecofin não é para discussão de um programa”, disse
Luís Marques Guedes na conferência de imprensa no final da reunião dos
ministros. Até porque tal discussão é, vincou, feita com a troika.
O
Governo leva a Dublin “aquilo que precisa para se manter a linha de confiança e
credibilidade do país junto dos parceiros europeus: leva garantias em que
possam confiar de que [o Executivo] tem vindo a trabalhar desde sexta-feira”
para conseguir compensar a “perda” de 1300 milhões de euros causada pela
declaração da inconstitucionalidade de quatro normas do Orçamento do Estado.
“É
isto que está em causa e não a discussão de qualquer programa”, afiançou o
secretário de Estado, recordando que o primeiro-ministro deixara “claro que otiming desta decisão do Tribunal
Constitucional nas vésperas de decisões internacionais muito importantes coloca
especiais vulnerabilidades, pelo que o trabalho junto dos parceiros
internacionais é agora fundamental”.
Marques
Guedes não se quis comprometer com prazos para a apresentação pública dessas
medidas por parte do Governo. “Assim que o Governo tenha, internamente, o
trabalho feito poderá apresentá-lo aos parceiros internacionais e aos parceiros
sociais.”
Luís
Marques Guedes não se cansou de classificar de “especulações” medidas avançadas
pela imprensa, como é o caso do aumento da idade da reforma para os 67 anos ou
o corte de 600 milhões de euros nas despesas de funcionamento
dos ministérios.
“O
Governo está a trabalhar nessa matéria desde a noite de sexta-feira. Serão
medidas que obrigarão a uma rectificação do Orçamento do Estado e das metas de
curto e médio prazo a que o país está obrigado perante os parceiros
internacionais”, descreveu o governante, salientando que “a pressa não é do
Governo, é do país”.
O
secretário de Estado disse várias vezes que o “Governo está empenhado em
cumprir a obrigação de resgatar o país e acabar com o programa de ajustamento
até 2014”.
Marques
Guedes avançou ainda que o despacho travão, que impede os serviços de
assumirem novos compromissos de despesa desde segunda-feira, é “uma medida
cautelar” e transitória, até que sejam definidos novos tectos de despesa para
cada um dos ministérios. O governante não se comprometeu, porém, com quaisquer
prazos nem delimitou o prazo de vigência do despacho.
Contudo,
só depois de na primeira fase se redefinirem os limites da despesa será
apresentado um orçamento rectificativo que terá que passar pela Assembleia da
República. “Todo o OE será revisto de acordo com a decisão do TC”, referiu.
Marques
Guedes acrescentou ainda que será necessário ter o acordo prévio datroika. “Face à situação de
autonomia mitigada, por força do Programa de Ajustamento Financeiro, há a
necessidade de as propostas terem algumas garantias de que os nossos parceiros
internacionais as aceitam como boas”, precisou.
=Público=

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