A vida tem coisas curiosas, como por exemplo a que nos obrigou a abrir um novo blog, que será em tudo semelhante ao anterior. Contamos com a mesma assiduidade dos leitores amigos. Esperamos que não voltem a surgir erros e possamos continuar sempre a comunicar com os nossos amigos.
Número total de visualizações de páginas
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Quem é o padre que denunciou D. Carlos Azevedo
O bispo D. Carlos
Azevedo terá assediado sexualmente o sacerdote José Nuno em três ocasiões: nos
anos 80, nos anos 90 e a última em 2009. Vários padres, ex-padres e amigos
quebram o silêncio na VISÃO desta semana e relatam como acompanharam o
sofrimento vivido pelo capelão do Hospital de São João, no Porto
Os testemunhos ouvidos pela
VISÃO desta semana permitem igualmente perceber as razões que levaram o
sacerdote a denunciar o antigo bispo auxiliar de Lisboa ao representante da
Santa Sé. Decisão e gesto doloroso que, dizem, levaram o coordenador nacional
das capelanias hospitalares a uma profunda depressão. Tudo em nome da verdade
na Igreja, dizem.
Nesta mesma edição,
publicamos ainda um perfil sobre o padre José Nuno Ferreira da Silva, de 48
anos, com episódios, relatos e depoimentos de figuras públicas sobre o seu
percurso de vida e profissional.
Azeredo Lopes, da
Universidade Católica, conhece o sacerdote há mais de 20 anos e admira a sua “inteligência
e sensibilidade”.
- Conheça aqui algumas dessas figuras, recorde
a cronologia deste caso (em baixo) e saiba tudo na VISÃO desta semana, a
partir de quinta-feira nas bancas
* iPad
Cronologia de um caso
- Quarta, 20
Na véspera de publicação da história pela VISÃO, ao final do dia, já o
tema da capa da revista era notícia. De Roma à SIC, D. Carlos Azevedo negou
"totalmente" as acusações. "Remexer em assuntos de há 30 anos,
que não ofenderam a moral pública, não serve de modo ético a informação, mas
visa meramente o sensacionalismo para destruir pessoas", afirmou o bispo,
realçando que o caso estaria apenas relacionado com "atos da vida privada
que não atentam contra a dignidade dos outros (...). Quando conheci a pessoa em
causa, ela era já adulta e grande", justificou. Referindo não excluir do
seu "amor e dedicação" pessoas que experimentaram "limites
dramáticos da condição humana", D. Carlos reconheceu que a atitude
"tem trazido olhares de suspeita e atitudes de ambiguidade que me fazem
objeto de má-língua".
Nessa mesma noite, mas com data do dia seguinte, a Conferência Episcopal, num comunicado assinado pelo seu porta-voz, Manuel Morujão, tornava pública a sua posição, sem desmentir a VISÃO: "Contrariando as nossas expectativas", lê-se no documento, "vemos que o nome do bispo D. Carlos Azevedo, atualmente em Roma, está envolvido em acusações de comportamentos impróprios, não conformes com a dignidade e a responsabilidade do estado sacerdotal. Da sua veracidade não podemos nem devemos julgar apressadamente. De qualquer membro da Igreja se espera um comportamento exemplar. Com muito maior razão de quem se comprometeu a viver o celibato sacerdotal", adverte-se, no texto, concluindo: "D. Carlos Azevedo pode contar com a nossa solicitude e a nossa oração fraterna."
Aos microfones da Rádio Renascença, D. Nuno Brás, bispo auxiliar de Lisboa, admitiu que "a Igreja é constituída por pecadores, uns mais do que outros", atribuindo as notícias a "tentativas de influenciar o conclave".
Na TSF, D. Januário Torgal Ferreira disse não se ter espantado com as suspeitas de assédio sexual: "É indiscutível que, em determinadas zonas da nossa sociedade, havia comentários dessa ordem", assinalou, concluindo que "o comportamento homossexual" do bispo já era objeto de comentários "desde 2006, 2007".
Nessa mesma noite, mas com data do dia seguinte, a Conferência Episcopal, num comunicado assinado pelo seu porta-voz, Manuel Morujão, tornava pública a sua posição, sem desmentir a VISÃO: "Contrariando as nossas expectativas", lê-se no documento, "vemos que o nome do bispo D. Carlos Azevedo, atualmente em Roma, está envolvido em acusações de comportamentos impróprios, não conformes com a dignidade e a responsabilidade do estado sacerdotal. Da sua veracidade não podemos nem devemos julgar apressadamente. De qualquer membro da Igreja se espera um comportamento exemplar. Com muito maior razão de quem se comprometeu a viver o celibato sacerdotal", adverte-se, no texto, concluindo: "D. Carlos Azevedo pode contar com a nossa solicitude e a nossa oração fraterna."
Aos microfones da Rádio Renascença, D. Nuno Brás, bispo auxiliar de Lisboa, admitiu que "a Igreja é constituída por pecadores, uns mais do que outros", atribuindo as notícias a "tentativas de influenciar o conclave".
Na TSF, D. Januário Torgal Ferreira disse não se ter espantado com as suspeitas de assédio sexual: "É indiscutível que, em determinadas zonas da nossa sociedade, havia comentários dessa ordem", assinalou, concluindo que "o comportamento homossexual" do bispo já era objeto de comentários "desde 2006, 2007".
- Quinta, 21
Anunciada no dia anterior, em declarações à SIC, a conferência de imprensa de
D. Carlos Azevedo no Vaticano, é anulada, bem como a sua presença num seminário
com jornalistas portugueses. O bispo está em "recolhimento", garante
Rosário Salgueiro, a enviada da RTP a Roma, que atribui a reportagem da VISÃO a
uma "guerra da maçonaria católica e da Opus Dei", porque, "de um
lado e do outro não querem que D. Carlos Azevedo assuma o lugar de
cardeal-patriarca".
À SIC, o padre Carreira das Neves confirma já ter "ouvido coisas, rumores. Já sabia que havia, em relação ao D. Carlos, alguns problemas complicados (...) e que talvez tenha ido para Roma por causa desses problemas complicados (...). A homossexualidade é reconhecida (...) tem pessoas a quem o dizia", assinalou.
A Rede de Cuidadores, pela voz do psiquiatra Álvaro de Carvalho, confirma ter "conhecimento de notícias deste teor em relação ao senhor bispo (...)", mas por não se tratar de caso de abuso de menores não foi denunciado às autoridades. "Tivemos uma referência informal, há cerca de ano e meio, dois anos, de que teria sido por uma situação de assédio sexual do senhor D. Carlos Azevedo que ele teria sido transferido para Roma", além de outras situações "variadas no tempo e geograficamente (...)". E o psiquiatra criticou a Igreja por "mais uma vez, enfiar a cabeça na areia como a avestruz".
Em Itália, o Vatican Insider, publicado pelo diário La Stampa, dá eco à reportagem sobre D. Carlos, mas com erros: contrariando o que a VISÃO escreveu, noticia que o bispo foi denunciado por "abuso sexual" por factos ocorridos nos anos oitenta.
O diário La Repubblica atribui a resignação do Papa Bento XVI à existência de um relatório de 300 páginas, elaborado por três cardeais, no qual se refere a existência de uma "rede transversal unida pela orientação sexual" ligada a desvios de dinheiro, corrupção e lutas pelo poder na Cúria.
À SIC, o padre Carreira das Neves confirma já ter "ouvido coisas, rumores. Já sabia que havia, em relação ao D. Carlos, alguns problemas complicados (...) e que talvez tenha ido para Roma por causa desses problemas complicados (...). A homossexualidade é reconhecida (...) tem pessoas a quem o dizia", assinalou.
A Rede de Cuidadores, pela voz do psiquiatra Álvaro de Carvalho, confirma ter "conhecimento de notícias deste teor em relação ao senhor bispo (...)", mas por não se tratar de caso de abuso de menores não foi denunciado às autoridades. "Tivemos uma referência informal, há cerca de ano e meio, dois anos, de que teria sido por uma situação de assédio sexual do senhor D. Carlos Azevedo que ele teria sido transferido para Roma", além de outras situações "variadas no tempo e geograficamente (...)". E o psiquiatra criticou a Igreja por "mais uma vez, enfiar a cabeça na areia como a avestruz".
Em Itália, o Vatican Insider, publicado pelo diário La Stampa, dá eco à reportagem sobre D. Carlos, mas com erros: contrariando o que a VISÃO escreveu, noticia que o bispo foi denunciado por "abuso sexual" por factos ocorridos nos anos oitenta.
O diário La Repubblica atribui a resignação do Papa Bento XVI à existência de um relatório de 300 páginas, elaborado por três cardeais, no qual se refere a existência de uma "rede transversal unida pela orientação sexual" ligada a desvios de dinheiro, corrupção e lutas pelo poder na Cúria.
- Sexta, 22
O porta-voz do Vaticano nega a existência de qualquer investigação sobre
o bispo. "É uma pessoa que estimamos muito, que cumpre muito bem as suas
funções no Conselho Pontifício da Cultura. Não me parece que haja um processo
em curso contra ele e, portanto, consideramo-lo com pleno respeito e plena
dignidade (...) Neste período, há muitos ataques e intervenções que pretendem
criar confusões e turbulências na Igreja", diz Frederico Lombardi, que confirmara ter lido o artigo da VISÃO
na véspera da saída da revista para as bancas.
D. Carlos reaparece e volta a falar à SIC: "Estas notícias devem ser enquadradas no ambiente de preparação do Conclave e de sucessão do patriarca de Lisboa", justifica.
D. Carlos reaparece e volta a falar à SIC: "Estas notícias devem ser enquadradas no ambiente de preparação do Conclave e de sucessão do patriarca de Lisboa", justifica.
- Sábado, 23
O Correio da Manhã noticia que um grupo de padres, que
prefere manter-se anónimo, vai enviar uma carta ao Núncio Apostólico exigindo
um "rápido e cabal" esclarecimento sobre as notícias vindas a
público. O mesmo jornal faz referência às declarações de D. Jorge Ortiga, bispo
de Braga, que presta solidariedade ao sacerdote José Nuno e a D. Carlos, pois
"ambos estão a sofrer muito". Ao JN, o bispo D. Carlos revela estar a
receber "muitas provas de solidariedade e de oração" e "muitas
manifestações de estima". D. Manuel Clemente, bispo do Porto, admite à
RTP, pela primeira vez, a veracidade da história, mas criticando,
indiretamente, a VISÃO: "O caso foi tratado por quem o quis tratar daquela
maneira no âmbito eclesial e com alguma reserva. Eu pergunto-me se não há aqui
uma ofensa aos direitos humanos trazer para público algo que as próprias
pessoas e a própria pessoa quis tratar de uma maneira pessoal e
reservada."
À tarde, o padre José Nuno reaparece em público, ao lado do bispo do Porto, nas Jornadas Vicariais da Fé, em Gondomar.
À tarde, o padre José Nuno reaparece em público, ao lado do bispo do Porto, nas Jornadas Vicariais da Fé, em Gondomar.
- Segunda, 25
O JN faz referência a uma missa do padre José Nuno, na capela do
Hospital de São João, celebrada no domingo. "Disse o que tinha a dizer, no
momento necessário, às instâncias certas dentro da Igreja", repete o
sacerdote ao jornal, num cenário nunca visto: "Diz quem frequenta a capela
hospitalar que não há memória de uma missa tão participada", escreve o
diário.
Em Milheirós de Poiares, terra de D. Carlos Azevedo, o povo continua indignado com a denúncia contra o bispo. Na homília da missa de domingo, o pároco local, segundo o Correio da Manhã, diz que "a resignação do Papa é mais importante do que uma notícia que correu na semana passada".
Em Milheirós de Poiares, terra de D. Carlos Azevedo, o povo continua indignado com a denúncia contra o bispo. Na homília da missa de domingo, o pároco local, segundo o Correio da Manhã, diz que "a resignação do Papa é mais importante do que uma notícia que correu na semana passada".
- Terça, 26
O DN noticia que D. José Policarpo pode deixar, nos próximos
dias, o lugar de Cardeal-Patriarca
=Visão=
«O Quinto»
O Brasil ainda não é
o quinto, é o sexto
Aprendendo sobre
mais uma das expressões usuais
O
1/5 e os 2/5 dos infernos
|
Renúncia de Bento XVI: esboço do sucessor ideal
Enquanto o Papa Bento XVI fez a sua despedida na
quarta-feira a seus seguidores da Praça de São Pedro, em Roma, os observadores
estão ansiosos para saber o nome do seu sucessor.
Alguns cardeais franceses
já fez uma lista de qualidades que iria encontrar no novo papa.
Sucessor de Bento não
foi eleito, mas quatro franceses miocárdio que participam da seleção do novo
Papa já indicou que qualidades eles esperavam encontrar no próximo pontífice.
Em conferências de imprensa separadas, o quatro religiosos de fato insistiu em certos traços que eles acreditam que são necessários para futuro chefe da Igreja Católica. Este último será, assim, "aberto", "inteligente", "saudável", não seja muito velho e fluente em vários idiomas.
Em conferências de imprensa separadas, o quatro religiosos de fato insistiu em certos traços que eles acreditam que são necessários para futuro chefe da Igreja Católica. Este último será, assim, "aberto", "inteligente", "saudável", não seja muito velho e fluente em vários idiomas.
"A coisa mais importante é a capacidade de ouvir"
Logo após o anúncio da renúncia de Bento XVI, o arcebispo de Paris, André Vingt-Trois sentiu que o seu sucessor deve ser "suficientemente aberta mente para entender ou pelo menos tentar entrar diferentes culturas. " Brincando, ele também ressaltou que ele deve ser "humilde, ele não tomou a Deus." Ele acrescentou: "Nós devemos ainda é mal" e "não é apenas uma fachada." Segundo o prelado, "a coisa mais importante é a capacidade de ouvir."
Philippe Barbarin, arcebispo
de Lyon, por sua vez, queria um papa capaz de "ouvir todos", de
"estar na tempestade, as contradições, o conflito." Em
outros spas, um homem "muito forte". E
enquanto João Paulo II e Bento XVI foram pontificados particularmente
marcantes, Philippe Barbarin advertiu, "não haverá caras muito grandes
como os dois antecessores, mas isso não importa."
Um homem
corajoso
De sua parte, arcebispo de Bordeaux, Jean-Pierre Ricard enfatizou a importância
de escolher um "homem espiritual" que também é um
"intelectual" que tem "conhecimento das situações internacionais"
e fala " alguns idiomas ".
E enquanto
o Papa será obrigado a viajar com freqüência, ele também salientou que "a
juventude não é o suficiente, mas ao mesmo tempo, você precisa de uma boa saúde
física, pelo menos inicialmente." Cardeal
Jean-Louis Tauran, o ex-ministro das Relações Exteriores do Vaticano, ele
queria muita coragem sucessor Bento XVI.
"Esta
responsabilidade esmagadora, o que tornará o homem um prisioneiro real, eu não
quero que ninguém, nem mesmo meu melhor amigo."
P. F.
Deputados discutem renegociação da dívida
O BE marcou para hoje um debate de actualidade sobre a questão da dívida
e a sétima avaliação da 'troika', que contará com a presença do Governo.
O Parlamento vai debater
esta tarde a questão da dívida e a sétima avaliação da 'troika', que começou
esta semana em Portugal.
O tema dá o mote para o
debate de actualidade que o Bloco de Esquerda marcou ontem na conferência de
líderes e antecipa o debate de urgência marcado para amanhã pelo PS para
discutir a "alternativa para a saída da crise".
Segundo o líder parlamentar
bloquista, o debate foi marcado "em nome da transparência" do que se
passa "nos corredores do Ministério das Finanças" e da afirmação de
"alternativas".
Ao contrário do PS, que
exigiu a presença do primeiro-ministro no seu debate de urgência - algo que não
irá acontecer, segundo comunicou o próprio Governo - o BE não concretizou que
membro do Executivo quer que esteja presente hoje no plenário, deixando no
entanto o recado de que deve ser "alguém que represente o Governo de viva
voz e que seja capaz de responder ao que são os anseios do país", disse
Pedro Filipe Soares.
O BE quer esclarecer "o
que é que se está a passar nos corredores do Ministério das Finanças nesta
avaliação da 'troika' que coloca tudo em cima da mesa e como é que o Governo
aceita ou não as sugestões do Bloco de Esquerda".
Essas sugestões, afirmou
Pedro Filipe Soares, "são soluções para o país, no sentido da renegociação
da dívida, de uma política que seja capaz de dar crescimento à economia e de
responder às necessidades do país, que é a criação de emprego".
=Económico=
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Menina com doença rara consegue seis milhões de amigos no Facebook
Tem seis anos, pesa apenas seis quilos e tem uma
doença sem tratamento ou cura. Adalia Rose Williams é portadora de
Hutchinson-Gilford, doença conhecida como progeria, mas utiliza as redes
sociais para dar a conhecer a sua enfermidade que para muitos ainda é
desconhecida.
Adalia sofre de uma doença rara, sem cura, que faz com a sua
esperança média de vida seja de apenas doze anos. Nesse espaço de tempo, o seu
corpo envelhece a um ritmo acelerado o que resulta na frequente queda de
cabelo, rigidez nas articulações e grande fragilidade.
A
doença chama-se Hutchinson-Gilford e é mais conhecida como progeria. É rara,
mas afecta um em cada oito milhões de bebés. Segundo explica o Diário de
Notícias, os primeiros sintomas da doença não são logo perceptíveis, e só a
partir do primeiro ano de idade pode já ser visível o envelhecimento precoce da
pele da criança.
Para dar a conhecer mais sobre Adalia e a sua doença, os pais da
menina norte-americana criaram uma página no Facebook para que a família e
amigos ficassem a par do seu estado de saúde, mas, na verdade, a menina já
conseguiu mais de seis milhões de seguidores na rede social. A boa disposição e
alegria da criança fez tanto sucesso que os pais decidiram mesmo alargar
horizontes e partilhar vídeos e fotografias também no Twitter e no Youtube.
De
acordo com o Diário de Notícias, a 'fama' de Adalia tem sido fundamental para
angariar fundos para a Progeria Research Foundation, criada em 1999 por um
casal de médicos. A fundação desempenhou um papel importante, quando, em 2003,
foi descoberto o gene responsável por esta condição.
N. M.
«AS GRANDES DÚVIDAS…»
“Se o Sol e a Lua começassem a duvidar, apagar-se-iam no
mesmo instante” (Blake).
A Europa duvida desde há muito… E se o seu eclipse nos
confunde, os americanos e os russos contemplam-no com serenidade ou com
alegria.
A América ergue-se diante do mundo como um nada
impetuoso, com uma fatalidade sem
substância. Nada a predispunha para a hegemonia.
No entanto, é para ela que tende, não sem algumas
hesitações.
Ao contrário das outras nações, que tiveram de sofrer
toda uma série de humilhações e derrotas, a América apenas conheceu até aqui a
esterilidade de uma sorte ininterrupta.
Se no futuro tudo lhe continuar a sair igualmente bem, o
seu aparecimento terá sido um acidente sem importância. Os que presidem aos
seus destinos, os que levam a peito os seus interesses, deveriam preparar-lhes
dias maus; para deixar de ser um monstro superficial, tem necessidade de uma
provação de envergadura.
Depois de ter vivido até hoje fora do inferno, prepara-se
para descer até ele. Se quiser procurar um destino, só o poderá encontrar na
ruína de tudo o que foi a sua razão de ser.
Quanto à Rússia, não se pode examinar o seu passado sem
um calafrio, um assombro de qualidade.
Passado surdo, cheio de expectativa, de ansiedade
subterrãnea, passado de toupeiras iluminadas. A irrupção dos russos fará tremer
as nações; começaram já por introduzir o absoluto na política.
É esse o desafio que lançam a uma humanidade atormentada
pelas dúvidas e à qual não hesitarão em vibrar o golpe de misericórdia. Se nós
já não temos alma, eles têm-na para dar e vender.
Próximos das suas origens, desse universo afectivo em que
o espírito adere ainda à terra, ao sangue, à carne, sentem aquilo que pensam;
as suas verdades, como os seus erros, são sensações, estimulantes, actos.
De facto, não pensam, explodem. Ainda no estádio em que a
inteligência não atenua nem dissolve as obsessões, ignoram os efeitos nocivos
da reflexão, bem como essas agruras da consciência que a tornam factor de
desenraizamento e de anemia.
Portanto, podem avançar tranquilamente. Que têm pela
frente senão um mundo linfático? Nada á sua frente, nada de vivo que lhes possa
barrar o caminho, nenhum onstáculo: não foi um deles o primeiro a empregar, em
pleno século XIX, a palavra “cemitério” a propósito do Ocidente?
Em breve chegarão em massa para visitar os despojos. Os
seus passos são já perceptíveis pelos ouvidos delicados. Quem poderia opor às
suas superstições em marcha sequer um simulacro de certeza?
Subscrever:
Mensagens (Atom)






