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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Pensamento da Semana



"É uma infelicidade da época,

que os doidos guiem os cegos."
                      
  Autor: William Shakespeare

D. P. L.

Quem é o padre que denunciou D. Carlos Azevedo


O bispo D. Carlos Azevedo terá assediado sexualmente o sacerdote José Nuno em três ocasiões: nos anos 80, nos anos 90 e a última em 2009. Vários padres, ex-padres e amigos quebram o silêncio na VISÃO desta semana e relatam como acompanharam o sofrimento vivido pelo capelão do Hospital de São João, no Porto


Os testemunhos ouvidos pela VISÃO desta semana permitem igualmente perceber as razões que levaram o sacerdote a denunciar o antigo bispo auxiliar de Lisboa ao representante da Santa Sé. Decisão e gesto doloroso que, dizem, levaram o coordenador nacional das capelanias hospitalares a uma profunda depressão. Tudo em nome da verdade na Igreja, dizem.
Nesta mesma edição, publicamos ainda um perfil sobre o padre José Nuno Ferreira da Silva, de 48 anos, com episódios, relatos e depoimentos de figuras públicas sobre o seu percurso de vida e profissional.
Azeredo Lopes, da Universidade Católica, conhece o sacerdote há mais de 20 anos e admira a sua “inteligência e sensibilidade”.
  • Conheça aqui algumas dessas figuras, recorde a cronologia deste caso (em baixo) e saiba tudo na VISÃO desta semana, a partir de quinta-feira nas bancas

    
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Cronologia de um caso
  • Quarta, 20
Na véspera de publicação da história pela VISÃO, ao final do dia, já o tema da capa da revista era notícia. De Roma à SIC, D. Carlos Azevedo negou "totalmente" as acusações. "Remexer em assuntos de há 30 anos, que não ofenderam a moral pública, não serve de modo ético a informação, mas visa meramente o sensacionalismo para destruir pessoas", afirmou o bispo, realçando que o caso estaria apenas relacionado com "atos da vida privada que não atentam contra a dignidade dos outros (...). Quando conheci a pessoa em causa, ela era já adulta e grande", justificou. Referindo não excluir do seu "amor e dedicação" pessoas que experimentaram "limites dramáticos da condição humana", D. Carlos reconheceu que a atitude "tem trazido olhares de suspeita e atitudes de ambiguidade que me fazem objeto de má-língua".
Nessa mesma noite, mas com data do dia seguinte, a Conferência Episcopal, num comunicado assinado pelo seu porta-voz, Manuel Morujão, tornava pública a sua posição, sem desmentir a VISÃO: "Contrariando as nossas expectativas", lê-se no documento, "vemos que o nome do bispo D. Carlos Azevedo, atualmente em Roma, está envolvido em acusações de comportamentos impróprios, não conformes com a dignidade e a responsabilidade do estado sacerdotal. Da sua veracidade não podemos nem devemos julgar apressadamente. De qualquer membro da Igreja se espera um comportamento exemplar. Com muito maior razão de quem se comprometeu a viver o celibato sacerdotal", adverte-se, no texto, concluindo: "D. Carlos Azevedo pode contar com a nossa solicitude e a nossa oração fraterna."
Aos microfones da Rádio Renascença, D. Nuno Brás, bispo auxiliar de Lisboa, admitiu que "a Igreja é constituída por pecadores, uns mais do que outros", atribuindo as notícias a "tentativas de influenciar o conclave".
Na TSF, D. Januário Torgal Ferreira disse não se ter espantado com as suspeitas de assédio sexual: "É indiscutível que, em determinadas zonas da nossa sociedade, havia comentários dessa ordem", assinalou, concluindo que "o comportamento homossexual" do bispo já era objeto de comentários "desde 2006, 2007".
  • Quinta, 21
Anunciada no dia anterior, em declarações à SIC, a conferência de imprensa de D. Carlos Azevedo no Vaticano, é anulada, bem como a sua presença num seminário com jornalistas portugueses. O bispo está em "recolhimento", garante Rosário Salgueiro, a enviada da RTP a Roma, que atribui a reportagem da VISÃO a uma "guerra da maçonaria católica e da Opus Dei", porque, "de um lado e do outro não querem que D. Carlos Azevedo assuma o lugar de cardeal-patriarca".
À SIC, o padre Carreira das Neves confirma já ter "ouvido coisas, rumores. Já sabia que havia, em relação ao D. Carlos, alguns problemas complicados (...) e que talvez tenha ido para Roma por causa desses problemas complicados (...). A homossexualidade é reconhecida (...) tem pessoas a quem o dizia", assinalou.
A Rede de Cuidadores, pela voz do psiquiatra Álvaro de Carvalho, confirma ter "conhecimento de notícias deste teor em relação ao senhor bispo (...)", mas por não se tratar de caso de abuso de menores não foi denunciado às autoridades. "Tivemos uma referência informal, há cerca de ano e meio, dois anos, de que teria sido por uma situação de assédio sexual do senhor D. Carlos Azevedo que ele teria sido transferido para Roma", além de outras situações "variadas no tempo e geograficamente (...)". E o psiquiatra criticou a Igreja por "mais uma vez, enfiar a cabeça na areia como a avestruz".
Em Itália, o Vatican Insider, publicado pelo diário La Stampa, dá eco à reportagem sobre D. Carlos, mas com erros: contrariando o que a VISÃO escreveu, noticia que o bispo foi denunciado por "abuso sexual" por factos ocorridos nos anos oitenta.
O diário La Repubblica atribui a resignação do Papa Bento XVI à existência de um relatório de 300 páginas, elaborado por três cardeais, no qual se refere a existência de uma "rede transversal unida pela orientação sexual" ligada a desvios de dinheiro, corrupção e lutas pelo poder na Cúria.
  • Sexta, 22
O porta-voz do Vaticano nega a existência de qualquer investigação sobre o bispo. "É uma pessoa que estimamos muito, que cumpre muito bem as suas funções no Conselho Pontifício da Cultura. Não me parece que haja um processo em curso contra ele e, portanto, consideramo-lo com pleno respeito e plena dignidade (...) Neste período, há muitos ataques e intervenções que pretendem criar confusões e turbulências na Igreja", diz Frederico Lombardi, que confirmara ter lido o artigo da VISÃO na véspera da saída da revista para as bancas.
D. Carlos reaparece e volta a falar à SIC: "Estas notícias devem ser enquadradas no ambiente de preparação do Conclave e de sucessão do patriarca de Lisboa", justifica.
  • Sábado, 23
O Correio da Manhã noticia que um grupo de padres, que prefere manter-se anónimo, vai enviar uma carta ao Núncio Apostólico exigindo um "rápido e cabal" esclarecimento sobre as notícias vindas a público. O mesmo jornal faz referência às declarações de D. Jorge Ortiga, bispo de Braga, que presta solidariedade ao sacerdote José Nuno e a D. Carlos, pois "ambos estão a sofrer muito". Ao JN, o bispo D. Carlos revela estar a receber "muitas provas de solidariedade e de oração" e "muitas manifestações de estima". D. Manuel Clemente, bispo do Porto, admite à RTP, pela primeira vez, a veracidade da história, mas criticando, indiretamente, a VISÃO: "O caso foi tratado por quem o quis tratar daquela maneira no âmbito eclesial e com alguma reserva. Eu pergunto-me se não há aqui uma ofensa aos direitos humanos trazer para público algo que as próprias pessoas e a própria pessoa quis tratar de uma maneira pessoal e reservada."
À tarde, o padre José Nuno reaparece em público, ao lado do bispo do Porto, nas Jornadas Vicariais da Fé, em Gondomar.
  • Segunda, 25
O JN faz referência a uma missa do padre José Nuno, na capela do Hospital de São João, celebrada no domingo. "Disse o que tinha a dizer, no momento necessário, às instâncias certas dentro da Igreja", repete o sacerdote ao jornal, num cenário nunca visto: "Diz quem frequenta a capela hospitalar que não há memória de uma missa tão participada", escreve o diário.
Em Milheirós de Poiares, terra de D. Carlos Azevedo, o povo continua indignado com a denúncia contra o bispo. Na homília da missa de domingo, o pároco local, segundo o Correio da Manhã, diz que "a resignação do Papa é mais importante do que uma notícia que correu na semana passada".
  • Terça, 26
O DN noticia que D. José Policarpo pode deixar, nos próximos dias, o lugar de Cardeal-Patriarca

=Visão=




«O Quinto»


O Brasil ainda não é o quinto, é o sexto 

Aprendendo sobre mais uma das expressões usuais

O   1/5 e os 2/5 dos infernos 

Durante o Século 18, o Brasil-Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal.

Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso País e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto".

Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro.

O "Quinto" era tão odiado pelos brasileiros, que, quando se referiam a ele, diziam

"O Quinto dos Infernos".

E isso virou sinônimo de tudo que é ruim.

A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, no episódio conhecido como "Derrama".

Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário IBPT, a carga tributária brasileira chegou ao final do ano de 2011 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção.

Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente "dois quintos dos infernos" de impostos...

Para quê?

Para sustentar a corrupção? Os mensaleiros? O Senado com sua legião de "Diretores"? A festa das passagens, o bacanal (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar nos 3 Poderes (Executivo/Legislativo e Judiciário)?

Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do "quinto dos infernos" para sustentar essa corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa!

E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente...!

Não deixem de repassar...  estaremos,  pelo menos, contribuindo para  relembrar parte da História do Brasil...

A.      G.

PS: Há vários anos, a expressão foi alterada, pelo menos em Portugal, e serve um pouco para tudo, sobretudo para mandar quem quer que seja para «Os Quintos do ca…., da pqp etc». todos os que cometem atrocidades para com o povo português.

Diz-se mesmo que a expressão tem “séculos de existência”, tendo sido muito usada, em certos meios durante a ditadura salazarista.

Hoje está muito em voga, no que se refere ao actual governo.


  

Renúncia de Bento XVI: esboço do sucessor ideal


Enquanto o Papa Bento XVI fez a sua despedida na quarta-feira a seus seguidores da Praça de São Pedro, em Roma, os observadores estão ansiosos para saber o nome do seu sucessor.

Alguns cardeais franceses já fez uma lista de qualidades que iria encontrar no novo papa.

Sucessor de Bento não foi eleito, mas quatro franceses miocárdio que participam da seleção do novo Papa já indicou que qualidades eles esperavam encontrar no próximo pontífice.

 Em conferências de imprensa separadas, o quatro religiosos de fato insistiu em certos traços que eles acreditam que são necessários para futuro chefe da Igreja Católica. Este último será, assim, "aberto", "inteligente", "saudável", não seja muito velho e fluente em vários idiomas.


"A coisa mais importante é a capacidade de ouvir"

Logo após o anúncio da renúncia de Bento XVI, o arcebispo de Paris, André Vingt-Trois sentiu que o seu sucessor deve ser "suficientemente aberta mente para entender ou pelo menos tentar entrar diferentes culturas. " Brincando, ele também ressaltou que ele deve ser "humilde, ele não tomou a Deus." Ele acrescentou: "Nós devemos ainda é mal" e "não é apenas uma fachada." Segundo o prelado, "a coisa mais importante é a capacidade de ouvir."


Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon, por sua vez, queria um papa capaz de "ouvir todos", de "estar na tempestade, as contradições, o conflito." Em outros spas, um homem "muito forte". E enquanto João Paulo II e Bento XVI foram pontificados particularmente marcantes, Philippe Barbarin advertiu, "não haverá caras muito grandes como os dois antecessores, mas isso não importa."

Um homem corajoso

De sua parte, arcebispo de Bordeaux, Jean-Pierre Ricard enfatizou a importância de escolher um "homem espiritual" que também é um "intelectual" que tem "conhecimento das situações internacionais" e fala " alguns idiomas ". 



E enquanto o Papa será obrigado a viajar com freqüência, ele também salientou que "a juventude não é o suficiente, mas ao mesmo tempo, você precisa de uma boa saúde física, pelo menos inicialmente." Cardeal Jean-Louis Tauran, o ex-ministro das Relações Exteriores do Vaticano, ele queria muita coragem sucessor Bento XVI.



"Esta responsabilidade esmagadora, o que tornará o homem um prisioneiro real, eu não quero que ninguém, nem mesmo meu melhor amigo."



 P. F.

Deputados discutem renegociação da dívida


O BE marcou para hoje um debate de actualidade sobre a questão da dívida e a sétima avaliação da 'troika', que contará com a presença do Governo.
O Parlamento vai debater esta tarde a questão da dívida e a sétima avaliação da 'troika', que começou esta semana em Portugal.

O tema dá o mote para o debate de actualidade que o Bloco de Esquerda marcou ontem na conferência de líderes e antecipa o debate de urgência marcado para amanhã pelo PS para discutir a "alternativa para a saída da crise".

Segundo o líder parlamentar bloquista, o debate foi marcado "em nome da transparência" do que se passa "nos corredores do Ministério das Finanças" e da afirmação de "alternativas".

Ao contrário do PS, que exigiu a presença do primeiro-ministro no seu debate de urgência - algo que não irá acontecer, segundo comunicou o próprio Governo - o BE não concretizou que membro do Executivo quer que esteja presente hoje no plenário, deixando no entanto o recado de que deve ser "alguém que represente o Governo de viva voz e que seja capaz de responder ao que são os anseios do país", disse Pedro Filipe Soares.

O BE quer esclarecer "o que é que se está a passar nos corredores do Ministério das Finanças nesta avaliação da 'troika' que coloca tudo em cima da mesa e como é que o Governo aceita ou não as sugestões do Bloco de Esquerda".

Essas sugestões, afirmou Pedro Filipe Soares, "são soluções para o país, no sentido da renegociação da dívida, de uma política que seja capaz de dar crescimento à economia e de responder às necessidades do país, que é a criação de emprego".


 =Económico=


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Menina com doença rara consegue seis milhões de amigos no Facebook


Tem seis anos, pesa apenas seis quilos e tem uma doença sem tratamento ou cura. Adalia Rose Williams é portadora de Hutchinson-Gilford, doença conhecida como progeria, mas utiliza as redes sociais para dar a conhecer a sua enfermidade que para muitos ainda é desconhecida.
Adalia sofre de uma doença rara, sem cura, que faz com a sua esperança média de vida seja de apenas doze anos. Nesse espaço de tempo, o seu corpo envelhece a um ritmo acelerado o que resulta na frequente queda de cabelo, rigidez nas articulações e grande fragilidade.

A doença chama-se Hutchinson-Gilford e é mais conhecida como progeria. É rara, mas afecta um em cada oito milhões de bebés. Segundo explica o Diário de Notícias, os primeiros sintomas da doença não são logo perceptíveis, e só a partir do primeiro ano de idade pode já ser visível o envelhecimento precoce da pele da criança.

Para dar a conhecer mais sobre Adalia e a sua doença, os pais da menina norte-americana criaram uma página no Facebook para que a família e amigos ficassem a par do seu estado de saúde, mas, na verdade, a menina já conseguiu mais de seis milhões de seguidores na rede social. A boa disposição e alegria da criança fez tanto sucesso que os pais decidiram mesmo alargar horizontes e partilhar vídeos e fotografias também no Twitter e no Youtube.

De acordo com o Diário de Notícias, a 'fama' de Adalia tem sido fundamental para angariar fundos para a Progeria Research Foundation, criada em 1999 por um casal de médicos. A fundação desempenhou um papel importante, quando, em 2003, foi descoberto o gene responsável por esta condição.

N. M.

«AS GRANDES DÚVIDAS…»



“Se o Sol e a Lua começassem a duvidar, apagar-se-iam no mesmo instante” (Blake).

A Europa duvida desde há muito… E se o seu eclipse nos confunde, os americanos e os russos contemplam-no com serenidade ou com alegria.

A América ergue-se diante do mundo como um nada impetuoso, com uma  fatalidade sem substância. Nada a predispunha para a hegemonia.

No entanto, é para ela que tende, não sem algumas hesitações.

Ao contrário das outras nações, que tiveram de sofrer toda uma série de humilhações e derrotas, a América apenas conheceu até aqui a esterilidade de uma sorte ininterrupta.

Se no futuro tudo lhe continuar a sair igualmente bem, o seu aparecimento terá sido um acidente sem importância. Os que presidem aos seus destinos, os que levam a peito os seus interesses, deveriam preparar-lhes dias maus; para deixar de ser um monstro superficial, tem necessidade de uma provação de envergadura.

Depois de ter vivido até hoje fora do inferno, prepara-se para descer até ele. Se quiser procurar um destino, só o poderá encontrar na ruína de tudo o que foi a sua razão de ser.

Quanto à Rússia, não se pode examinar o seu passado sem um calafrio, um assombro de qualidade.

Passado surdo, cheio de expectativa, de ansiedade subterrãnea, passado de toupeiras iluminadas. A irrupção dos russos fará tremer as nações; começaram já por introduzir o absoluto na política.

É esse o desafio que lançam a uma humanidade atormentada pelas dúvidas e à qual não hesitarão em vibrar o golpe de misericórdia. Se nós já não temos alma, eles têm-na para dar e vender.

Próximos das suas origens, desse universo afectivo em que o espírito adere ainda à terra, ao sangue, à carne, sentem aquilo que pensam; as suas verdades, como os seus erros, são sensações, estimulantes, actos.

De facto, não pensam, explodem. Ainda no estádio em que a inteligência não atenua nem dissolve as obsessões, ignoram os efeitos nocivos da reflexão, bem como essas agruras da consciência que a tornam factor de desenraizamento e de anemia.

Portanto, podem avançar tranquilamente. Que têm pela frente senão um mundo linfático? Nada á sua frente, nada de vivo que lhes possa barrar o caminho, nenhum onstáculo: não foi um deles o primeiro a empregar, em pleno século XIX, a palavra “cemitério” a propósito do Ocidente?

Em breve chegarão em massa para visitar os despojos. Os seus passos são já perceptíveis pelos ouvidos delicados. Quem poderia opor às suas superstições em marcha sequer um simulacro de certeza?